Rembrandt pintou esta obra de arte: "A Volta do Filho Pródigo", dois anos antes de sua morte. Ele perdeu 3 filhos e a esposa morreu após o nascimento do quarto filho. Todo este sofrimento levou-o a fazer um caminho de volta para a casa do Pai. Por isto, ele pintou este quadro com tanta emoção. E certamente se representou na pessoa do filho pródigo.
Esta parábola foi contada por Jesus e revela Deus como um pai misericordioso, que vai ao encontro do pecador e para quem perdoar é motivo de festa. A pintura mostra o sofrimento e cansaço do pai que ficou longos anos aguardando a volta do filho. Seu abraço revela o seu lado paterno e materno: uma mão forte e outra mais delicada. A postura evoca um novo nascimento "do alto" deste filho maltrapilho e ferido.
O irmão mais velho, embora vestido como o pai, não participa do calor deste abraço, porque mantém-se com os braços fechados, olhando de cima e com arrogância. Denuncia nossa tendência à auto-justificação e ao orgulho espiritual, considerando-nos superiores aos outros e merecedores do amor de Deus.
Há 3 observadores. O primeiro é tocado por este encontro e bate no peito em sinal de arrependimento. O segundo arregala os olhos, mas esconde-se atrás da coluna, sinalizando nossos vários mecanismos de fuga, inclusive o ativismo religioso. O terceiro permanece na sombra, no anonimato, nas trevas.
Cabem algumas perguntas?
- Me percebo como o filho pródigo, consciente de ter me afastado da minha vocação de filho, e desejo de voltar para o colo do pai?
- Me percebo com o irmão mais velho, cobrador, orgulhoso, buscando as benções do pai e não o pai das benções?
- Será que percebo o chamado para ser, como o pai, perdoador e acolhedor dos que estão à minha volta?
- Ou sou apenas um observador distante desta realidade?
Gaste alguns momentos olhando para esta obra e refletindo sobre as perguntas acima.

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