De vez em quando você vai descobrir uma nova história publicada aqui. Todas estas histórias foram escritas por mim, sobre pessoas ou acontecimentos que eu mesma averiguei. Elas ilustram valores fundamentais para o fortalecimento de um caráter cristão. Estes valores são eternos e estão apoiados nas Escrituras Sagradas, a Bíblia. Estão aqui disponíveis para você ler e desfrutar mas também como uma ferramenta que pode ser usada no seu ministério com crianças, adolescentes. O objetivo é inspirar e motivar uma nova geração a valorizar e buscar uma relação viva com Deus e um caráter cristão transformado e transformador.
Cada história é publicada em duas versões, uma mais curta e uma mais completa. A primeira você pode ler aqui mesmo, a segunda você pode fazer o download e usá-la nas suas aulas, da forma que achar mais produtiva.
Bete, a Menina que sabia pedir a ajuda...
No caminho de volta do Poço da Loca, a menina de 7 anos ia montada no cavalo em pêlo, com um vestido de morim (tecido de algodão bem leve), descalça e com seus cabelos muito compridos, grossos e um pouco ondulados.
O sol já chegava à metade do seu caminho no céu, os passarinhos já tinham parado de cantar para economizar energia, e tudo já começava a ganhar aquele ar parado de meio-dia, que é tão comum no sertão do Piauí.
Bete trazia as vacas de volta do Poço da Loca, para onde as levava todos os dias. No verão esse era o único lugar onde podiam beber água. Ia pensando sobre nada, assim como as crianças distraídas e sonhadoras gostam de fazer. Seu cavalo, pelo jeito, não estava tão tranqüilo assim porque, de repente, deu um pinote. Bete se viu jogada para o alto e, atravessando o ar em segundos, foi parar nos galhos de um pé de vaqueta. O problema é que essa árvore é cheia de galhos secos que mais parecem espinhos. Bete só não caiu no chão porque um dos galhos fincou-se no seu braço. A dor e o susto foram tão grandes que ela desmaiou.
Ao acordar, viu que precisava se soltar e buscar ajuda. O braço doía muito. E, ao puxá-lo para longe do galho, a dor aguda que sentiu foi muito pior. O sangue começou a jorrar sem dó e Bete reuniu todas as forças para correr para a casa da madrinha, dona Adélia, que ficava do outro lado do riacho das Melancias.
Seu Militão, ao chegar em casa aquele dia e vê-la vazia, sentiu muito medo. Já havia perdido a esposa e quatro bebês. Sentia-se abandonado, e ia levando um dia de cada vez. Cuidava sozinho dos filhos: Bete, de 7 anos, Angélica, de 4, e Dionísio, o bebê que sobrevivera graças ao esforço da vizinha, dona Leocádia que o amamentou até os 6 meses.
O dia para seu Militão começava bem antes de o sol raiar, quando levantava para ordenhar as vacas. Bete sempre lhe fazia companhia. Adorava tomar a espuma do leite e observar as mãos firmes e fortes do pai enquanto trabalhava. Em seguida ele virava a coalhada do dia anterior para escorrer, formando o queijo. Tratava das galinhas e outras criações, e se dirigia à cozinha.
A cozinha era um barraco construído ao lado da casinha de sapé. Não tinha paredes; apenas uma cerca para impedir a invasão dos animais domésticos. Seu Militão cuidava então de alimentar os dois filhos menores que a essa altura já tinham acordado. Depois arrumava o almoço — quase sempre o baião-de-dois (feijão e arroz cozinhados juntamente) com carne seca —, pegava a sua matula e saía com a enxada nas costas. Trabalhava o dia inteiro em sua roça na Gameleira, que ficava a uma hora de caminhada. Só voltava com o sol já se apagando no horizonte.
O que teria acontecido com os três?
Seu Militão correu para a casa da madrinha, dona Adélia, já imaginando o pior, mas respirou aliviado ao encontrar a filha. Bete já se havia recuperado do susto. Seu braço já limpo e bem enfaixado estava muito inchado o que indica que a perda de sangue foi grande. Ela logo começou a contar a aventura do dia enquanto a madrinha terminava de arrumar os dois menores.
Bete sabia que correr para a madrinha era sua única salvação. Por que? Porque a madrinha na sua simplicidade estava sempre lá, disponível. Era ela quem todos os dias lhe dava banho, trançava os cabelos e lhe vestia depois que a menina cumpria sua lista de obrigações: buscar água na cacimba, levar as vacas para beber água, olhar os irmãos e, à tarde, trazer as vacas para o curral.
Naquele dia, pai e filha descobriram duas coisas importantes: pedir ajuda é coisa de gente sábia. Bete aos 7 anos já tinha esta sabedoria. E... prestar ajuda é coisa de gente bondosa. Para ser bondoso não é preciso ter dinheiro, é preciso ter tempo e disposição. Tanto sabedoria para saber que precisamos de ajuda como a bondade para nos dispor a prestar ajuda são duas coisas totalmente indispensáveis na vida!
Você pode fazer o download da história completa e descobrir como Bete cresceu e se tornou uma senhora muito bem sucedida e cheia das duas coisas: sabedoria e bondade. Download Bete Dez 2008

Élsie, se as histórias continuarem sigelas como essa, elaborar ilustrações será mais que uma alegria. Gostei da simplicidade profunda.
Posted by: Liz | 01/26/2009 at 17:55