Em homenagem à minha querida Vania Viana, que quer contar estórias em quadrinhos para a garotada aprender a se defender, aqui vai uma que devia ser ilustrada e que registra bem os descaminhos dos nossos adolescentes. Infelizmente, ela é verdadeira!
A Yara, minha ajudante e amiga (é ela quem cuida de várias tarefas relacionadas ao atendimento ao leitor da Revista Mãos Dadas), foi buscar sua filha numa festa sábado passado. Chegou à porta do clube justamente na hora que uma turma de mais ou menos 10 rapazes batiam violentamente em um! Ela não se conteve, entrou na briga tentando chegar até a vítima, que já estava caido no chão recebendo chutes violentos. Ela testemunhou a hora em que um dos rapazes deu uma "voadora" na boca do adolescente e o seu maxilar saiu do lugar.
Com a sua intervenção, talvez porque eles já estavam cansados de tanto bater, ou quem sabe por providência divina, eles se retiraram e começou a luta por pronto socorro. O rapaz ficou em coma no hospital por dois dias e só ontem (5 dias depois) recebeu alta.
Yara, na segunda-feira, chegou perguntando: "O que eu fiz foi um ato cristão ou uma grande insensatez, arriscar a minha vida por uma pessoa que eu nem conhecia?"
Esta é a pergunta que eu coloco para vocês. Até que ponto podemos nos arriscar?
No entanto, há uma outra pergunta importante, o que podemos fazer para previnir cenas como esta? Precisamos desesperadamente de uma cultura de paz, mas como incentivá-la?
Detalhes para o desenhista da Vânia: Yara é uma mulher de 40 anos, em plena forma física e portadora de uma faixa preta de caratê. Outro detalhe: O rapaz espancado não era o que a "gang de 10" estava à procura. Ele simplesmente se parecia com o rapaz que eles queriam pegar. Ele nem estava nesta festa, estava apenas passando!
