A pergunta que qualquer pessoa contemplando a adoção não pode evitar é "Sou capaz de amar esta criança da mesma forma que amo ou amaria a um filho biológico?"
Esta pergunta indica o que é esperado de nós, mães e pais. Acreditamos que um pai e uma mãe têm por seu filho ou filha um amor diferente, mais intenso, mais comprometido. Cremos que este amor é diferente do que temos por outras crianças ao nosso redor (filhos de nossos amigos, sobrinhos, alunos, etc).
O C.S. Lewis no livro "Os Quatro Amores" fala deste amor. Ele diz que há um paradoxo nesta relação porque o amor da mãe é amor-doação enquanto que o do bebê é amor-necessidade. Mas que, ao mesmo tempo, o amor da mãe também é amor-necessidade. Ela precisa ser amada pelo bebê, ela precisa de ser precisada!
A Bíblia está impregnada de referências a este amor. Por exemplo, Jesus declara que queria ter reunido seu povo como uma galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas. Este amor nos parece tão natural que nos chocamos quando vemos uma mãe ou um pai darem demonstrações de que não o têm.
Há uns 60 anos, a partir do trabalho de um psiquiatra inglês chamado John Bowlby, pesquisadores começaram a estudar como este amor é desenvolvido, não apenas do ponto de vista dos pais pelo filho, mas também do filho para com os pais. A este processo eles deram o nome de apego.
Para mim, o mais importante sobre o apego é descobrir o que pode aumentá-lo ou diminuí-lo. Se soubermos isto, poderemos ajudar as pessoas a nutrir um amor mais profundo por seus filhos e como consequência estaremos aumentando o nível de proteção e segurança das crianças. Os pesquisadores descobriram, por exemplo, que um dos fatores mais importantes para que o apego se desenvolva bem é a capacidade do adulto de conseguir satisfazer as necessidades do bebê.
Há situações em que esta capacidade é ameaçada ou diminuída e muitas vezes estas ameaças são externas aos pais, não internas. Então antes de jogar pedras, precisamos perguntar "O que aconteceu aqui para que o vínculo fosse quebrado ou enfraquecido? O que nós podemos fazer para fortalecê-lo?"
Portanto, o próximo passo é descobrir o que é o apego, como ele se densenvolve e o quê exatamente podemos fazer para fomentá-lo!

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