O que pode dar errado nos relacionamentos da organização com seus funcionários e voluntários...
Nas relações entre uma organização e seus trabalhadores que questões éticas podem surgir?
- Organização não remunera de forma justa o trabalhador, incluindo-se aqui aqueles que não assinam carteira ou não pagam salário de acordo com o que rege o sindicato da categoria.
Organização não paga salários e obrigações trabalhistas em dia, está sempre em dívida com os funcionários.
Organização não prevê questões relativas à segurança do trabalhador: instalações precárias, funcionários expostos à violência, etc.
Organização não prevê questões relativas à saúde emocional do trabalhador.
Organização não prevê questões relativas à capacitação do trabalhador deixando-o exposto a problemas de ordem ética no seu trabalho com as crianças. Por isto o trabalhador se torna aquele que machuca a criança, não o que a protege, muitas vezes sem querer.
Organização não administra de forma responsável a relação com voluntários.
Organização recruta funcionários de forma leviana (para ajudar parentes e amigos, para agradar membros da igreja que sustenta a organização, ou não faz a checagem de referências e antecedentes antes de empregar, etc).
Organização não regulamenta os horários e procedimentos internos de forma que os funcionários não fazem hora de almoço, fazem muitas horas extras, são convocados a trabalhar em dias de feriados ou de descanso.
Qual é o pior dos problemas acima citados, ou seja, qual deles trará conseqüências mais graves para a organização e para as crianças que ela busca proteger?
Qual é o problema mais comum nas organizações?
Que desculpas as organizações têm para agirem assim?
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Cada problema acaba agravando o outro. Estão unidos por causas e efeitos.
Acima de tudo, quando a organização não valoriza seus funcionários tanto quanto valoriza seus beneficiários há incoerências e conflitos mais intensos. O discurso se torna vazio, os propósitos viram despropósitos.
E aí, para salvar sua pele, a organização muitas vezes faz uso da manipulação (seja ideológica, religiosa, etc).
Quando se trata de uma instituição social, o assunto é ainda mais sério. Com a função de resgatar a dignidade das pessoas (e não gerar lucros financeiros), ela não pode se furtar de manter a dignidade de seus próprios companheiros de trabalho.
Posted by: Lissânder Dias | 01/14/2009 at 16:18
Gostei muito deste texto. E por ter trabalhado durante muitos anos num Projeto Social, reconheço essas atitudes como uma realidade. Coloca-se o social como prioridade de uma igreja cristã, mas na maioria das vezes não percebe as fragilidades e as necessidades das pessoas que se dispõem a colocar a mão na massa; que estão envolvidas no dia a dia do projeto.
Acredito sinceramente que a igreja pode fazer muito pelo social do país.
Acredito que haverá mudanças significativas nos projetos sociais quando homens e mulheres perceberem que havendo ética acontecerá de fato o resgate da dignidade humana.
Posted by: Sirlé Vieira da Silva Lima | 01/21/2009 at 16:33